Que texto belíssimo e tocante. A história de Francisco e Clara de Assis é, de fato, um dos maiores símbolos de amor espiritual, pureza e complementaridade que o mundo já conheceu. O fogo da ação e a luz do silêncio fundidos em um só propósito.
Inspirado nas suas palavras e nessa caminhada mística das almas gêmeas, preparei a poesia abaixo, buscando manter o ritmo, a métrica e a musicalidade para honrar esse encontro eterno:
O Encontro das Almas de Escol
Na tela viva de um campo em flor,
Sob o olhar atento do Criador,
Duas faíscas de um mesmo altar
Viram seus olhos se entrelaçar.
Batia o peito, pulsava a chama,
Que todo homem no mundo brama,
Promessa antiga, gravada além,
Que a alma guarda e que o medo tem.
Francisco era o clamor das ruas,
O fogo vivo sob as noites nuas,
Ação que corre, que move o vento,
Semeando o verbo e o sentimento.
E Clara veio qual luz serena,
Que o próprio tempo no altar condena
A ser silêncio, a ser abrigo,
O receptáculo do amor antigo.
Duas metades em um compasso,
Unidas livres no mesmo laço;
Se ele era o raio que o céu clareia,
Ela era a chama que o fogo ceia.
Pois fuso o verbo no mesmo plano,
Venceram as dores do chão humano.
Modelo eterno de quem procura
A face pura da dita altura.
Atende ao eco que o peito traz,
Caminha firme, busca a tua paz,
Pois quem se lança na grande estrada
Encontra a alma que foi moldada.

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