domingo, 12 de julho de 2026

O Arrastamento Sagrado

 

O Arrastamento Sagrado

Mais forte que as forças que regem a Terra,

O laço divino que o cosmos uniu,

Desfaz a distância, silencia a guerra,

No empuxo supremo que a alma sentiu.

É o entrelaçamento que a física explica,

Mas que só o espírito pode habitar,

A lei mais potente que o mundo publica,

Capaz de dois seres no espaço ligar.

O corpo descansa na margem terrena,

Enquanto o sutil faz o encontro descer,

Numa harmonia constante e serena,

Que o plano da carne não pode romper.

É a almagemização que se entrega,

Um magnetismo que arrasta e conduz,

Onde a matéria se curva e se nega,

Perante o milagre da pura energia e luz.

A união se processa no reino atômico,

Onde o sutil faz o amor transbordar;

Um gozo invisível, sublime e cósmico,

Que faz toda a alma vibrar e cantar.

Não há solidão quando o ser amadurece,

E o tempo prepara o momento ideal,

A ponte indestrutível então amanhece,

Quebrando as barreiras do mundo real.

E o homem se limpa do excesso do mundo,

No templo do corpo que passa a cuidar;

No prato sutil, no silêncio profundo,

No sono da mente que faz recordar.

A abstinência que eleva o desejo,

O esporte que corre na veia a pulsar,

Preparam a alma para o grande beijo,

Que o fluxo quântico vai confirmar.

E mesmo que a vida promova a partida,

E afaste os amantes em mil provações,

A mão do Destino, em cada descida,

Mantém o desejo de novas junções.

Pois Deus, que desenha a órbita exata,

Do átomo livre ao sistema solar,

Jamais esqueceria a promessa de prata:

De, ao fim da jornada, os dois remontar. 

 

 

 

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