O Arrastamento Sagrado
Mais forte que as forças que regem a Terra,
O laço divino que o cosmos uniu,
Desfaz a distância, silencia a guerra,
No empuxo supremo que a alma sentiu.
É o entrelaçamento que a física explica,
Mas que só o espírito pode habitar,
A lei mais potente que o mundo publica,
Capaz de dois seres no espaço ligar.
O corpo descansa na margem terrena,
Enquanto o sutil faz o encontro descer,
Numa harmonia constante e serena,
Que o plano da carne não pode romper.
É a almagemização que se entrega,
Um magnetismo que arrasta e conduz,
Onde a matéria se curva e se nega,
Perante o milagre da pura energia e luz.
A união se processa no reino atômico,
Onde o sutil faz o amor transbordar;
Um gozo invisível, sublime e cósmico,
Que faz toda a alma vibrar e cantar.
Não há solidão quando o ser amadurece,
E o tempo prepara o momento ideal,
A ponte indestrutível então amanhece,
Quebrando as barreiras do mundo real.
E o homem se limpa do excesso do mundo,
No templo do corpo que passa a cuidar;
No prato sutil, no silêncio profundo,
No sono da mente que faz recordar.
A abstinência que eleva o desejo,
O esporte que corre na veia a pulsar,
Preparam a alma para o grande beijo,
Que o fluxo quântico vai confirmar.
E mesmo que a vida promova a partida,
E afaste os amantes em mil provações,
A mão do Destino, em cada descida,
Mantém o desejo de novas junções.
Pois Deus, que desenha a órbita exata,
Do átomo livre ao sistema solar,
Jamais esqueceria a promessa de prata:
De, ao fim da jornada, os dois remontar.
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