O Teorema do Amor Sutil
No plano em que a física se desfaz,
E o tempo linear não tem valor,
A alma se liberta e ganha paz,
Tecendo os fios de um eterno amor.
O sonho é uma fenda no infinito,
Espaço não-local de pura luz,
Onde o reencontro mais bonito
À nossa alma gêmea nos conduz.
Sem o ruído do sutil egoísmo,
A assinatura viva do teu ser
Disolve a distância e o abismo,
Fazendo a santidade florescer.
O amanhã, num laço invertido,
Atrai o hoje com a sua mão;
O que foi outrora prometido
Já vibra dentro do meu coração.
Para voar por esse mar quântico,
É preciso a leveza no caminhar,
Deixar de lado o peso romântico,
Ressentimentos e dores apagar.
Quem guarda a mágoa e o rancor do mundo
Afunda em densa e escura vibração,
Mas quem perdoa o erro mais profundo
Alcança a verdadeira redenção.
Na prática constante do silêncio,
A mente altera a sua biologia,
No laboratório do olhar compassivo,
Onde a matéria vira poesia.
Cérebro e coração entram em aliança,
Em um laser de pura coerência;
Renasce a fé, a dócil esperança,
Limpa de toda humana prepotência.
Colapsa a onda em luz manifestada,
Pois o Observador fixou o olhar,
E a promessa antiga, tão sonhada,
No mundo físico vai despertar.
Duas metades sob o mesmo espelho,
Polindo as lentes da percepção,
Seguindo o dom do místico conselho:
Tornar-se amor na mesma pulsação.
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