111. É justa a fundação de institutos para a educação sexual?
—
Quando os professores do mundo estiverem plenamente despreocupados das
tabelas administrativas, dos auxílios oficiais, da classificação de
salários, das situações de evidência no magistério, das promoções, etc.,
para sentirem nos discípulos os filhos reais do seu coração, será
acertado
cogitar-se da fundação de educandários dessa natureza, porquanto haverá
muito amor dentro das almas, assegurando o êxito das iniciativas.
Os
professores do mundo, todavia, considerado o quadro legítimo das
exceções, ainda não passam de servidores do Estado, angustiados na
concorrência do profissionalismo. Na sagrada missão de ensinar, eles
instruem o intelecto, mas, de modo geral, ainda não sabem iluminar o
coração dos discípulos, por necessitados da própria iluminação.
Examinada
a questão desse modo, e atendendo às circunstâncias das posições
evolutivas, consideramos que os pais são os mestres da educação sexual
de seus filhos, indicados naturalmente para essa tarefa, até que o orbe
possua, por toda parte, as verdadeiras escolas de Jesus, onde a mulher,
em qualquer estado civil, se integre na divina missão da maternidade
espiritual de seus pequenos tutelados e
onde o homem, convocado ao
labor educativo, se transforme num centro de paternal amor e amoroso
respeito para com os seus discípulos.
112. Como renovar os processos de educação para a melhoria do mundo?
—
As escolas instrutivas do planeta poderão renovar sempre os seus
métodos pedagógicos, com esses ou aqueles processos novos, de
conformidade com a psicologia infantil, mas a escola educativa do lar só
possui uma fonte de renovação que é o Evangelho, e um só modelo de
Mestre
que é a personalidade excelsa do Cristo.
113. Os
pais espíritas devem ministrar a educação doutrinária a seus filhos ou
podem deixar de fazê-lo invocando as razões de que, em matéria de
religião, apreciam mais a plena liberdade dos filhos?
— O período
infantil, em sua primeira fase, é o mais importante para todas as bases
educativas, e os pais espíritas cristãos não podem esquecer seus deveres
de orientação aos filhos, nas grandes revelações da vida. Em nenhuma
hipótese, essa primeira etapa das lutas terrestres deve ser encarada com
indiferença.
O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a
máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos. Já se disse,
no mundo, que o menino livre é a semente do celerado. A própria
reencarnação não constitui, em si mesma, restrição considerável à
independência absoluta da alma necessitada de expiação e corretivo?
Além disso, os pais espíritas devem compreender que qualquer indiferença nesse particular pode conduzir
a criança aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo, e à ausência de amor à verdade.
Deve
nutrir-se o coração infantil com a crença, com a bondade, com a
esperança e com a fé em Deus. Agir contrariamente a essas normas é abrir
para o faltoso de ontem a mesma porta larga para os excessos de toda
sorte, que conduzem ao aniquilamento e ao crime.
Os pais espíritas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas, sim, para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.
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